O que significa ser participante do reino da Segunda Besta

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Analisemos novamente.

Depois de ser surpreendido pela chegada da primeira besta, João se volta para o outro lado, olha para a terra, e vê surgir da terra um outro poder. Satanás, desta vez, para nos afastar de Deus, utiliza uma estratégia diferente – a Segunda Besta. Os versículos 16-17 afirmam que ela “Faz que a todos…lhes seja posto um sinal.. para que ninguém possa comprar ou vender, senão o que tiver o sinal…”

A estratégia da segunda besta, que como vimos é o IMPÉRIO DOS EUA, é diferente, porque é relacionada à comprar e vender, ao comércio de bens. O que ela pretende é nos levar a buscar a nossa própria satisfação, a ponto de direcionar o melhor do nosso tempo e esforços na busca de riquezas, riquezas que sejam capazes de pagar por esta satisfação.

Os historiadores falam do caráter diferenciado da sociedade americana desde o seu surgimento. Falam que isto decorre da excepcionalidade histórica do país. Afirmam que se beneficiou de não ter um passado feudal, de ter a fronteira aberta, e da forte ética protestante. Tudo isto propiciou o livre desenvolvimento da economia de mercado e a ausência de conflitos sociais, em um ambiente de liberdade e igualdade.

Na década de 20, Pós – Primeira Guerra Mundial, este caráter diferenciado ganhou o nome de “american way of life”, associado à difusão de uma cultura urbana, marcada pelo consumo e pelo divertimento.

Neste ponto da História os EUA já tinham se tornado a mais poderosa economia e a maior credora internacional. Em 46, já detinha mais da metade do PIB do mundo.

Na década de 50, período Pós – Segunda Guerra, este conceito se expandiu para a crença na necessidade de uma postura intervencionista em assuntos internacionais.

Com o patrocínio de grandes empresas, “ofereceu-se” esta crença ao mundo, através do cinema, rádio e televisão, como se o “AMERICAN WAY OF LIFE” fosse um modelo de sociedade capaz de garantir liberdade, abundância e conforto a todos os povos, em contraposição ao totalitarismo soviético.

Os anos 90 foram marcados pela defesa intransigente dos interesses nacionais deste Império. Sob o manto da defesa dos direitos humanos, da ecologia, da luta contra o narcotráfico e do combate ao terrorrismo, o Império agiu na Somália, Bósnia, Kosovo, Timor Leste. Atacou o Iraque, Sudão, Afeganistão. Intrometeu-se na pacificação da Irlanda do Norte e do Oriente Médio, onde quase obrigou as partes em conflito a assinar um acordo de paz que nenhum dos atores em cena queria.

Chegou ao século XXI com a política externa ainda mais centrada em seus próprios interesses, o que a crítica mundial denominou de unilateralismo.

Hoje se reservam no direito de analisar cada situação mundial e agir conforme seus interesses, independentemente de acordos ou restrições do direito internacional, o que se intensificou após os atentados de 11/09/01.

Agora coloca em prática sua política puramente norte-americana de aniquilamento do terrorrismo no mundo, contra o que chamam de Eixo do Mal, ignorando os apelos do Conselho de Segurança da ONU, da OTAN e do TIAR.

Acreditam ter o direito de fazer ataques preventivos a países que tenham condições de desenvolver armamentos capazes de pôr em risco a sua segurança, ou que ataquem aliados considerados leais.

São de fato os donos do mundo. E o pior é que acreditam que receberam de Deus esta “missão”!

Este modelo de sociedade americana já contaminou grande parte dos cristãos. A moda hoje é a pregação da prosperidade, a busca pelas riquezas, a crença de que ser abençoado é ser abastado. Em grande parte das igrejas brasileiras o discurso é este.

Não se procura o Senhor e a Sua vontade. A vontade que interessa é a nossa, a satisfação das nossas necessidades é o que importa. Não dedicamos tempo diário para o estudo da Palavra de Deus, não cultuamos ao Senhor, não nos importamos com as coisas pelas quais Ele se importa.

Não amamos a Deus acima de todas as coisas, muito menos ao próximo como a nós mesmos. O que importa é a nossa vontade. Deus não está no trono, outro deus não está no trono (idolatria própria do reino da Primeira Besta), neste reino nós estamos no trono, nos assentamos ali, para a nossa própria satisfação.

O foco neste reino não é o culto a outros deuses, mas o culto ao dinheiro, porque ele pode satisfazer nossa vontade!

Deus tenha misericórdia de nós, igreja brasileira.

Com amor,

Luciane

Continua: A Terceira Besta

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