O Sermão Profético – Parte I

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Identificada a besta que sobe do mar, vamos agora estudar o Sermão Profético, que nos mostra vários séculos de História contados antecipadamente.

Este sermão foi registrado por Mateus, Marcos e Lucas, mas utilizaremos como base a versão de Lucas. Vamos checar as outras versões apenas para auxiliar o estudo, porque, como você verá, Lucas foi o único a deixar registradas algumas palavras importantes para a exata compreensão do texto e do período a que se refere.

Eis o texto completo do Sermão Profético, versão de Lucas:

LUCAS [21]

5 E falando-lhe alguns a respeito do templo, como estava ornado de formosas pedras e dádivas, disse ele:

6 Quanto a isto que vedes, dias virão em que não se deixará aqui pedra sobre pedra, que não seja derribada.

7 Perguntaram-lhe então: Mestre, quando, pois, sucederão estas coisas? E que sinal haverá, quando elas estiverem para se cumprir?

8 Respondeu então ele: Acautelai-vos; não sejais enganados; porque virão muitos em meu nome, dizendo: Sou eu; e: O tempo é chegado; não vades após eles.

9 Quando ouvirdes de guerras e tumultos, não vos assusteis; pois é necessário que primeiro aconteçam essas coisas; mas o fim não será logo.

10 Então lhes disse: Levantar-se-á nação contra nação, e reino contra reino;

11 e haverá em vários lugares grandes terremotos, e pestes e fomes; haverá também coisas espantosas, e grandes sinais do céu.

12 Mas antes de todas essas coisas vos hão de prender e perseguir, entregando-vos às sinagogas e aos cárceres, e conduzindo-vos à presença de reis e governadores, por causa do meu nome.

13 Isso vos acontecerá para que deis testemunho.

14 Proponde, pois, em vossos corações não premeditar como haveis de fazer a vossa defesa;

15 porque eu vos darei boca e sabedoria, a que nenhum dos vossos adversário poderá resistir nem contradizer.

16 E até pelos pais, e irmãos, e parentes, e amigos sereis entregues; e matarão alguns de vós;

17 e sereis odiados de todos por causa do meu nome.

18 Mas não se perderá um único cabelo da vossa cabeça.

19 Pela vossa perseverança ganhareis as vossas almas.

20 Mas, quando virdes Jerusalém cercada de exércitos, sabei então que é chegada a sua desolação.

21 Então, os que estiverem na Judéia fujam para os montes; os que estiverem dentro da cidade, saiam; e os que estiverem nos campos não entrem nela.

22 Porque dias de vingança são estes, para que se cumpram todas as coisas que estão escritas.

23 Ai das que estiverem grávidas, e das que amamentarem naqueles dias! porque haverá grande angústia sobre a terra, e ira contra este povo.

24 E cairão ao fio da espada, e para todas as nações serão levados cativos; e Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos destes se completem.

Note que os discípulos perguntam a Jesus quando sucederiam “estas coisas”. A que coisas se referem? À destruição do templo e de Jerusalém. Eles pedem a Jesus um sinal de quando estas coisas iriam acontecer.

A Palavra nos conta que porque os judeus rejeitaram o Salvador, em 70 DC, Jerusalém foi completamente destruída. Veja o que afirma Lucas 19:

 41 E quando chegou perto e viu a cidade, chorou sobre ela,

42 dizendo: Ah! se tu conhecesses, ao menos neste dia, o que te poderia trazer a paz! mas agora isso está encoberto aos teus olhos.

43 Porque dias virão sobre ti em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, e te sitiarão, e te apertarão de todos os lados,

44 e te derribarão, a ti e aos teus filhos que dentro de ti estiverem; e não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não conheceste o tempo da tua visitação.

Interessante notar também que, quando isto aconteceu, grande parte dos cristãos não estava mais em Jerusalém pois creram na palavra profética, no sinal dado por Jesus.

Veja o sinal na versão de Mateus 24:

15 Quando, pois, virdes estar no lugar santo a abominação de desolação, predita pelo profeta Daniel (quem lê, entenda),

16 então os que estiverem na Judéia fujam para os montes;

17 quem estiver no eirado não desça para tirar as coisas de sua casa,

18 e quem estiver no campo não volte atrás para apanhar a sua capa.

Expressão difícil a usada por Mateus, contudo não se justifica a confusão que muitos fazem na interpretação, porque Lucas nos esclarece com exatidão o que ela significa:

 »LUCAS [21]

20 Mas, quando virdes Jerusalém cercada de exércitos, sabei então que é chegada a sua desolação.

21 Então, os que estiverem na Judéia fujam para os montes; os que estiverem dentro da cidade, saiam; e os que estiverem nos campos não entrem nela.

Agora vamos comparar o trecho que estudamos com a História.

Jesus disse aos discípulos para fugirem quando vissem a abominação da desolação no lugar santo, ou seja, quando os exércitos estivessem cercando Jerusalém. Este sinal foi dado por Céstio, que liderando os romanos, cercou a cidade. Só que, inexplicavelmente, após cercar a cidade no Outono de 67 DC, ele decidiu abandoná-la. Crendo no que Jesus havia dito, quando avistaram os estandartes dos romanos prontos para entrar em Jerusalém, os cristãos tiveram tempo para fugir para a cidade de Pela, além do Jordão. Os judeus, que estavam reunidos na cidade para a Festa dos Tabernáculos, perseguiram os romanos que estavam em retirada e tiveram uma aparente vitória.

Tito reassumiu o cerco na Páscoa, exatamente três anos e meio depois, na Primavera de 70 DC, quando os judeus não estavam esperando. A destruição da cidade foi inevitável. Acreditando que o Templo jamais seria destruído, os judeus se amontoaram lá dentro. O próprio Tito fez pressão para que se rendessem, a fim de salvar o templo, mas Jesus já tinha predito que não ficaria ali pedra sobre pedra. Morreram nesta batalha mais de um milhão de pessoas e os sobreviventes foram levados como escravos, mortos nas arenas ou dispersos.

 

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