O Sermão Profético – Parte II

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Estamos estudando o Sermão Profético e vimos no ponto anterior que os versículos 20-24 de Lucas 21 se referem à destruição de Jerusalém no ano 70 DC. O Império Romano começa, então, a perseguir a Igreja de Jesus, espalhada agora por muitas cidades.

Até 250 DC esta perseguição tinha sido apenas fruto da ação popular, do preconceito. Depois de 250 DC a perseguição se tornou violenta, incentivada e promovida pelo governo. O sangue dos mártires se tornou a semente da igreja. Quanto mais os cristãos eram perseguidos e mortos, mais crescia a igreja, uma igreja até aqui fiel à Palavra de Deus.

Como a perseguição física não adiantou, pois o evangelho continuou a romper barreiras e a crescer, a nova estratégia de Satanás foi corromper a Verdade. Entra em cena o Imperador Constantino.

Quando Constantino subiu ao poder em 313 DC, encarou o fato de que a perseguição não havia resolvido o “problema”. Os cristãos chegavam até a orar pelos seus inimigos! Por que não tirar proveito dessa lealdade e modo de vida dos cristãos para favorecer o Estado? Os cristãos eram trabalhadores esforçados, nunca se embebedavam e nunca se rebelavam contra o governo. Por que não encorajá-los e dar-lhes plenos direitos? Talvez sua filosofia se espalhasse, fortalecendo o império!

Então o próprio Constantino alegou ter se tornado cristão, passando a dar apoio às igrejas cristãs. No entanto, continuou a liderar o sacerdócio pagão e a presidir as cerimônias nos feriados religiosos pagãos. Pouco tempo depois já era cabeça da igreja cristã, sem oposição daqueles que deveriam guardar a Verdade.

A igreja se calou diante da “benção” da tolerância! Era o fim da perseguição! Os costumes pagãos e suas heresias sutilmente foram entrando na igreja, que passou a aceitá-los. Conversões por conveniência se multiplicaram. A corrupção chegou rapidamente ao primeiro escalão da Igreja. A igreja foi corrompida…

Era o começo do catolicismo romano. Roma tornou-se a “grande cidade que domina sobre os reis da terra” (Apocalipse 17:18). Seu domínio não vinha mais do poderio militar, mas passou a ser exercido por uma hierarquia religiosa que alegava ter herdado as chaves do Reino de Deus. A adoração de imagens e relíquias foi introduzida na igreja, bem como foi alterada a Lei de Deus, o que já vimos anteriormente. A apostasia vinda da união da igreja com Roma pagã, iria resultar no estabelecimento do poder papal, cumprindo o disposto em 2 Tessalonicenses 2:

“II TESSALONICENSES [2]

3 Ninguém de modo algum vos engane; porque isto não sucederá sem que venha primeiro a apostasia e seja revelado o homem do pecado, o filho da perdição,

4 aquele que se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus ou é objeto de adoração, de sorte que se assenta no santuário de Deus, apresentando-se como Deus.

7 Pois o mistério da iniquidade já opera; somente há um que agora o detém até que seja posto fora;”

Observa-se que a referência é à volta de Jesus; isto é, Paulo diz que Cristo não virá sem que antes ocorra a apostasia, cujo resultado é o aparecimento do poder denominado de “homem da iniquidade” e “filho da perdição”.

Apostasia é o afastamento da verdade; portanto, Paulo afirma que a Igreja de Cristo deveria experimentar um declínio espiritual. Isso resultaria no surgimento da besta, e, posteriormente, do anticristo, que se estabeleceria no santuário de Deus.

Paulo não está falando aqui de um templo literal, mas do próprio Cristianismo! Vejamos o que ele mesmo escreveu em Efésios 2:20 e 21:

“Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo Ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; no qual todo edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor.”

Assim, Paulo estava prevendo a chegada da apostasia e que esta apostasia generalizada promoveria o advento de um poder que se estabeleceria dentro da própria Igreja Cristã, querendo ocupar a posição de Deus na terra.

Este poder estabelece o seu domínio sobre a Igreja Cristã e começa seu reinado, como vimos no estudo da Besta que sobe do Mar. Em 538 começaram os 1260 anos de opressão papal sobre o povo de Deus, o que anteriormente chamamos de “Reinado da Primeira Besta”. Isto mesmo, no séc. VI, em 538 DC, surge o poder papal, com o Edito de Justiniano.

Foi Justiniano quem decretou que o bispo de Roma prevaleceria sobre os bispos de outras cidades, pelo fato de que Roma era a capital do império e dominava o mundo político daqueles dias. Se levantou um poder que, usando o nome de Deus e atribuindo-se a prerrogativa de ser a Igreja de Deus, perseguiu a verdadeira Igreja.

O acesso da igreja de Roma ao poder assinalou o início da Idade das Trevas. Aumentando seu poderio, mais se adensavam as trevas. Cumpriu-se Apocalipse 13:2: “O dragão deu à besta o seu poder e o seu trono e grande poderio.” 

De Cristo, o verdadeiro fundamento, transferiu-se a fé para o papa de Roma. Em vez de confiar no Filho de Deus para o perdão dos pecados e para a salvação eterna, o povo olhava para o papa e seus sacerdotes. Ensinava-se ser o Papa o mediador terrestre e que ninguém poderia se aproximar de Deus senão por seu intermédio; e mais ainda, que ele ficava para eles em lugar de Deus e deveria, portanto, ser obedecido. Esquivar-se de suas disposições era motivo suficiente para se infringir a mais severa punição.

Assim a mente do povo desviava-se de Deus para homens falíveis, que erram e são cruéis, e mais ainda para o próprio Satanás que por meio deles exercia seu poder. O pecado se disfarçava sob um manto de santidade.

“Nós ocupamos o lugar do Deus Todo-Poderoso”. (Papa Leon XIII, numa encíclica, de 20/06/1894)

“O papa é de tão grande autoridade e poder que pode modificar, explicar ou interpretar mesmo as leis divinas… O papa pode modificar as leis divinas, visto seu poder não provir do homem, mas de Deus, e age como substituto de Deus na Terra, com o mais amplo poder de ligar  e desligar o rebanho”. (Prompta Bibliotheca, Roma, 1900)

Longas peregrinações, atos de penitência, adoração de relíquias, ereção de igrejas, relicários e altares, bem como o pagamento de grandes somas à igreja, tudo isto e muito outros atos semelhantes eram ordenados para aplacar a ira de Deus ou assegurar o Seu favor.

Generalizou-se a adoração de imagens. Acendiam-se velas perante imagens e se lhe dirigiam orações. A Palavra foi retirada de circulação e o povo mergulhou na ignorância e no vício.

Os séculos que se seguiram testemunharam o aumento constante de erros nas doutrinas emanadas de Roma. Estabeleceu-se a invocação dos santos e a adoração de Maria. Surgiu a doutrina das indulgências: completa remissão de pecados, passados, presentes e futuros, e livramento de todas dores e penas em que os pecados importam. Pelo pagamento de dinheiro à Igreja, uma pessoa poderia liberar-se do pecado e igualmente libertar as almas de seus amigos falecidos que estivessem condenados. Coisas assim eram prometidas a todos os que ajudassem nas guerras do Papado para estender seu domínio, castigar seus inimigos e exterminar os que ousassem negar-lhe a supremacia espiritual. Por meios destes absurdos, Roma abarrotou os cofres e sustentou o luxo e os vícios dos alegados representantes de Jesus.

Aos cristãos exigia-se, sob pena de morte, confessar sua fé nestas heresias. Multidões que a isto se recusavam foram mortos na Inquisição. Outros foram obrigados a renunciar à sua fé e aceitar as cerimônias papais, muitos foram cruelmente perseguidos, muitos tiveram que se esconder nas cavernas das montanhas para sobreviver, muitos foram presos e mortos diante dos reis, para dar testemunho de sua fé em Jesus, cumprindo a profecia de Mateus 24:9-13 e Lucas 21:12-19. Babilônia se embriagou do sangue dos santos (Apocalipse 17:6).

“Nenhum protestante que tenha conhecimento competente da história porá em dúvida o fato de que a igreja de Roma tenha derramado mais sangue inocente que nenhuma outra instituição que jamais haja existido na terra. É impossível formar-se uma idéia completa da multidão de suas vítimas.” (W.E.H. Lecky, History of the rise and influence of The Spirit of Rationalism in Europe, tomo 2, p. 32, Edição 1910.)

Calcula-se… Uma média de 40.000 assassinatos religiosos por cada ano de existência do papado.“(John Dowling. The History of Romanism, p. 541-542.)

A fim de Satanás manter o seu domínio sobre os homens e estabelecer a autoridade humana, deveria conservar o homem na ignorância das Escrituras. Então, durante séculos a circulação das Escrituras foi proibida. Ao povo era vedado ler ou ter em casa, e sacerdotes interpretavam-na de modo que queriam para favorecer suas pretensões. As missas eram celebradas em latim, para que o povo não entendesse. Assim, o chefe da Igreja veio a ser quase universalmente reconhecido como o vigário de Deus na Terra, dotado de toda autoridade sobre a Igreja e o Estado.

No entanto, um remanescente permaneceu fiel. Os valdenses, ostrogodos e hérulos negaram a supremacia de Roma e rejeitaram o culto às imagens. Foram perseguidos e condenados de heresia, mas plantaram a semente da Reforma, que veio mais tarde com João Wiclief (Inglaterra), João Huss (Alemanha), e Martinho Lutero.

Com a conversão nominal de Constantino, portanto, tivemos o desenvolvimento do homem do pecado, descrito em 2 Tessalonicenses 2. Lembre-se que a principal doutrina da Igreja Católica é a de que o Papa é a cabeça visível da igreja, é sua autoridade suprema, chegando mesmo a dizer que o Papa é Deus, em afronta direta ao que diz a Palavra de Deus.

Deus jamais deu em Sua Palavra a mínima sugestão de que tivesse designado algum homem para ser a cabeça da Igreja. A doutrina da supremacia papal opõe-se diretamente às Escrituras. O Papa não pode ter poder algum sobre a Igreja de Cristo, a não ser por usurpação.

Veja o que afirma o dicionário eclesiástico católico romano, por Lucius Ferraris, intitulado “Prompta Bibliotheca Canonica”, vol VI, p. 438, 442, artigo “Papa”. A Enciclopédia Católica (The Catholic Encyclopedia), edição de 1913, vol. VI, p. 48, fala deste livro como “uma autêntica enciclopédia de conhecimentos religiosos”:

“O Papa é tão exaltado e tem tanta dignidade que não é somente um homem, mas como se fosse Deus e vigário de Deus… Portanto o Papa está coroado com uma tríplice coroa como rei do céu, da terra e das profundezas… Deste modo, se fosse possível que os anjos errassem na fé ou pudessem pensar contrário à fé, poderiam ser julgados e excomungados pelo Papa… O Papa é como se fosse Deus na terra, único soberano dos fiéis em Cristo, supremo rei dos reis, tendo a plenitude do poder, a quem Deus onipotente confiou a direção, não apenas do reino terrestre como também do celestial… O Papa pode modificar a lei divina, porque seu poder não é de um homem, mas de Deus.”

Exatamente em 1798, 1260 anos depois, um exército francês liderado pelo General Berthier, a mando de Napoleão, prendeu o Papa Pio VI (morreu no exílio) e tomou as terras da Igreja Católica, reduzindo em muito o seu domínio no mundo. Termina a período de supremacia do Papado e de perseguição acirrada sobre a Igreja de Jesus. Cumpriu-se a profecia que faz referência a um cativeiro da besta em Apocalipse 13: 9-10:

“Se alguém tem ouvidos ouça. Se alguém leva para cativeiro, para cativeiro vai. Se alguém matar à espada, necessário é que seja morto à espada. Aqui está a perseverança e a fidelidade dos santos.”

 Cumpre-se aqui o trecho de Lucas 21:12-19.

 

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