O Sermão Profético – Parte III

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Continuando o estudo do Sermão Profético, leia novamente o texto. Você agora percebe que Jesus trata de três períodos diferentes?

1 – Período da Destruição de Jerusalém;

2 – Período do Reinado da Primeira Besta;

3 – Período chamado de “Princípio de Dores”.

Analisando o texto de Lucas 21, no v. 12 temos uma informação profética mais detalhada: “ Mas antes de todas essas coisas vos hão de prender e perseguir…” Veja que Lucas afirma que antes dos sinais referentes ao “princípio de dores”, os cristãos seriam presos e perseguidos. E não foi isto que aconteceu?

O primeiro e segundo períodos históricos já foram estudados. Agora veremos o terceiro, que começou em 1798. As versões de Mateus e Lucas nos mostram os seguintes sinais:

a) “muitos virão em meu nome” (Falsos cristos);

b) Guerras e rumores de guerras;

c) terremotos, peste e fome;

d) grandes sinais no céu.

Todos estes eventos caracterizam o “Princípio de Dores” e sobre os três primeiros não precisamos tecer considerações, porque são claros. Vejamos agora o mesmo trecho no evangelho de Marcos:

 MARCOS [13]

4 Dize-nos, quando sucederão essas coisas, e que sinal haverá quando todas elas estiverem para se cumprir?

5 Então Jesus começou a dizer-lhes: Acautelai-vos; ninguém vos engane;

6 muitos virão em meu nome, dizendo: Sou eu; e a muitos enganarão.

7 Quando, porém, ouvirdes falar em guerras e rumores de guerras, não vos perturbeis; forçoso é que assim aconteça: mas ainda não é o fim.

8 Pois se levantará nação contra nação, e reino contra reino; e haverá terremotos em diversos lugares, e haverá fomes. Isso será o princípio das dores.

9 Mas olhai por vós mesmos; pois por minha causa vos hão de entregar aos sinédrios e às sinagogas, e sereis açoitados; também sereis levados perante governadores e reis, para lhes servir de testemunho.

10 Mas importa que primeiro o evangelho seja pregado entre todas as nações.

11 Quando, pois, vos conduzirem para vos entregar, não vos preocupeis com o que haveis de dizer; mas, o que vos for dado naquela hora, isso falai; porque não sois vós que falais, mas sim o Espírito Santo.

12 Um irmão entregará à morte a seu irmão, e um pai a seu filho; e filhos se levantarão contra os pais e os matarão.

13 E sereis odiados de todos por causa do meu nome; mas aquele que perseverar até o fim, esse será salvo.

14 Ora, quando vós virdes a abominação da desolação estar onde não deve estar (quem lê, entenda), então os que estiverem na Judéia fujam para os montes;

15 quem estiver no eirado não desça, nem entre para tirar alguma coisa da sua casa;

16 e quem estiver no campo não volte atrás para buscar a sua capa.

17 Mas ai das que estiverem grávidas, e das que amamentarem naqueles dias!

18 Orai, pois, para que isto não suceda no inverno;

19 porque naqueles dias haverá uma tribulação tal, qual nunca houve desde o princípio da criação, que Deus criou, até agora, nem jamais haverá.

20 Se o Senhor não abreviasse aqueles dias, ninguém se salvaria mas ele, por causa dos eleitos que escolheu, abreviou aqueles dias.

21 Então, se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! ou: Ei-lo ali! não acrediteis.

22 Porque hão de surgir falsos cristos e falsos profetas, e farão sinais e prodígios para enganar, se possível, até os escolhidos.

23 Ficai vós, pois, de sobreaviso; eis que de antemão vos tenho dito tudo.

Nos versículos 5-8, vemos a descrição do Princípio de Dores.

Em seguida, de 9-13, Jesus manda os discípulos prestarem atenção em sua situação, prenunciando a perseguição que viria pela frente (538 a 1798), já estudada.

Nos versículos 14-18, se compararmos com Mateus e Lucas, veremos que se trata da destruição de Jerusalém, também já analisada.

Já nos versículos 19-23, Marcos volta a descrever a perseguição da Igreja, já ocorrida na Idade Média. Porque não poderia estar se referindo a nova perseguição? Porque as narrativas de Mateus, Marcos e Lucas se referem ao mesmo sermão, portanto Marcos aqui não pode estar falando de nenhum período profético diferente. Trata-se da mesma perseguição, já ocorrida, sendo que Marcos apenas saiu do assunto, fez um parêntesis, para depois voltar novamente.

Em seguida Marcos afirma o seguinte:

“24 Mas naqueles dias, depois daquela tribulação, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz;

25 as estrelas cairão do céu, e os poderes que estão nos céus, serão abalados.”

Jesus nos conta que depois daquela tribulação apareceriam alguns sinais no céu. A que tribulação estaria Ele se referindo? À única mencionada anteriormente. Jesus estava dizendo que, depois da perseguição da Igreja pelo Papado, o sol escureceria, a luz não daria a sua luz, as estrelas cairiam do céu…

Compare este texto com seus correlatos de Lucas e Apocalipse:

“E haverá sinais no sol e na lua e nas estrelas; e na terra angústia das nações, em perplexidade pelo bramido do mar e das ondas.” (Lucas 21:25)

“E, havendo aberto o sexto selo, olhei, e eis que houve um grande tremor de terra; e o sol tornou-se negro como saco de cilício, e a lua tornou-se como sangue; E as estrelas do céu caíram sobre a terra, como quando a figueira lança de si os seus figos verdes, abalada por um vento forte.” (Apocalipse 6:12-13)

Aconteceram eventos que se encaixariam nesta descrição, logo depois da tribulação sofrida pela Igreja na Idade Média? A resposta é sim. Estes versículos se cumpriram ao pé da letra, todos antes do início do século XIX. Se você não acredita, então, veja:

Em 1755 ocorreu o maior terremoto que se registrou até a época. Foi conhecido como o Terremoto de Lisboa. Atingiu a Europa, África e América, em aproximadamente 10.000.000 Km2. Só em Lisboa, pereceram mais de sessenta mil pessoas. (Fonte: (1) Princípios de Geologia, de Charles Lyell, na Enciclopédia Americana. (2) internet, em documentos portugueses.)

Vinte e cinco anos mais tarde, em 19/05/1780, ocorreu o que chamaram de “Dia Escuro”. 

“A extensão destas trevas foi extraordinária. Observaram-se na parte oriental até Falmouth. Para o oeste, atingiram a parte mais remota de Connecticut e Albany. Para o sul foram observadas ao longo das costas, e o norte até onde se estende a colonização americana.” (História do Início, Progressos e Estabelecimento dos E.U. da A, Dr. Wm. Gordon.)

Houve trevas de dia, como se o sol tivesse se apagado, voltando a brilhar novamente no pôr do sol. Pouco tempo depois, as trevas retornaram com a noite, aparentemente sem lua. E mais algumas horas depois puderam ver a lua vermelha como sangue. O evento foi registrado em vários jornais da época, dada a sua extensão e raridade.

Já em 13/11/1833 ocorreu a Chuva Meteórica. Foi a mais extensa e maravilhosa exibição de estrelas cadentes registrada até então, nos Estados Unidos, em toda a sua extensão. O céu inteiro parecia em movimento.

“Nenhuma expressão, na verdade, pode chegar à altura do esplendor daquela exibição magnificente… pessoa alguma que não a testemunhou pode ter uma concepção adequada de sua glória. Dir-se-ia que todas as estrelas se houvessem reunido em um ponto próximo do zênite, e dali fossem simultaneamente arrojadas, com a velocidade de um relâmpago, a todas as partes do horizonte; e, no entanto, não se exauriam, seguindo-se milhares celeremente no rastro de milhares, como se houvessem sido criadas para a ocasião.” (F. Reed, no Christian Advocate and Journal, de 13/12/1833)

“Não era possível criar um quadro mais fiel de uma figueira lançando seus figos quando açoitada por um vento forte.” (The Old Countryman, no Advertiser, vespertino de Portland, de 26/11/1833).

 A Igreja da época comemorou, cientes de que se tratavam dos sinais preditos por Jesus no Sermão Profético. Seu único erro foi pensar que a volta de Jesus aconteceria logo em seguida, porque não foi isto que Jesus disse. Em Lucas 21:9, Mateus 24: 6 e Marcos 13:7, Jesus diz que o fim ainda não seria logo.

Lembre-se que entre dois versículos podem estar séculos de história. Se Deus fosse revelar tudo em seus mínimos detalhes, a Bíblia teria que ter bilhares de páginas. O Senhor nos revelou apenas os fatos relevantes dentro do Seu Plano de Salvação e dentro da História da Igreja. Veja que em momento algum nestes versículos é dito que estes sinais seriam os maiores já vistos.

Continuando a ler o Sermão Profético, você verá que os assuntos seguintes são o arrebatamento e uma série de parábolas relacionadas à segunda vinda de Jesus. Estes tópicos não nos interessam agora, pois o arrebatamento ainda não ocorreu e o mais importante que quero deixar com este trabalho é o conhecimento daquilo que já aconteceu, mas que a Igreja de Jesus teima em não enxergar.

No entanto, vale ressaltar uma coisa,

“ENTÃO aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória. E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus.” (Mateus 24:30-31, texto correlato ao de Marcos 13:26-27 e Lucas 21:27-28)

Note que a palavra utilizada para conectar este versículo com o anterior foi “então” , e não “logo em seguida”, como aconteceu no v. 29. A palavra então não tem esta conotação de imediato. Séculos de história podem dividir, como de fato dividem, os dois versículos. 

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