6 – O combate aos nicolaítas

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Depois que Jesus exortou Éfeso por ter perdido o primeiro amor, ele teve compaixão e a fez saber que havia outra coisa neles que ainda mantinha o “saldo positivo”:

“Tens, porém, isto: que odeias as obras dos nicolaítas, as quais eu também odeio.” (Apocalipse 2:6)

Estranho, você pode achar. Jesus frisou que odeia alguma coisa: as obras dos nicolaítas. Então, se queremos agradar a Deus temos que saber quem são e quais são as suas obras.

Vamos recorrer ao grego para entender o sentido. “Nikolaos” é um adjetivo formado da junção de duas palavras: “Nikao” (conquistar) e “laíta” (derivação de “laikos”/”laos” – a plebe). Assim, nicolaíta é aquele que domina sobre o povo, sobre a plebe.

Este grupo diferenciava pessoas dentro da igreja, ensinando existir uma casta especial e superior na Igreja, o clero. É o grupo que plantou a semente que permitiu o domínio da Primeira Besta sobre a Igreja Cristã. Veja como:

A principal profecia sobre a Primeira Besta se encontra em Apocalipse 13:1-8.

“1 Então vi subir do mar uma besta que tinha dez chifres e sete cabeças, e sobre os seus chifres dez diademas, e sobre as suas cabeças nomes de blasfêmia… e o dragão deu-lhe o seu poder e o seu trono e grande autoridade. 2E a besta que vi era semelhante ao leopardo, e os seus pés, como os de urso, e a sua boca, como a de leão; e o dragão deu-lhe o seu poder, e o seu trono, e grande poderio. 3E vi uma de suas cabeças como ferida de morte, e a sua chaga mortal foi curada; e toda a terra se maravilhou após a besta. 4E adoraram o dragão que deu à besta o seu poder; e adoraram a besta, dizendo: Quem é semelhante à besta? Quem poderá batalhar contra ela? 5E foi-lhe dada uma boca para proferir grandes coisas e blasfêmias; e deu-se-lhe poder para continuar por quarenta e dois meses. 6E abriu a boca em blasfêmias contra Deus, para blasfemar do seu nome, e do seu tabernáculo, e dos que habitam no céu. 7E foi-lhe permitido fazer guerra aos santos e vencê-los; e deu-se-lhe poder sobre toda tribo, e língua, e nação. 8E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.”

Aplicando a Chave (versículo interpreta versículo), vou lhe mostrar as suas principais características.

Primeira característica: A palavra “besta” vem do grego therion, que significa um poder, um reino. É a mesma palavra contida em Daniel 7: 23. Lá, a tradução para therion é literalmente reino.

Segunda característica: “E adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.” (Apocalipse 13:08).  Este não é apenas um poder político, mas também religioso. Ele exige adoração e a obtém.

Terceira característica:Este é um poder mundial. “Toda a terra se maravilhou, seguindo a besta,” (Apocalipse 13:03).

Quarta característica:A besta tem nomes de blasfêmia, conforme Apocalipse 13:01. Mas o que é blasfêmia? Vejamos o que diz a Bíblia.

O texto de João 10: 32-33 nos mostra os judeus querendo apedrejar Jesus. Nesta ocasião, Ele lhes perguntou a razão e eles disseram: “Não é por nenhuma obra boa que vamos apedrejar-te, mas por blasfêmia; e porque, sendo tu homem, te fazes Deus.”

Então, blasfêmia é um homem dizer ser Deus. Claro que Jesus não blasfemou, porque Ele é Deus. Mas esta afirmação, vindo de qualquer outra pessoa, é blasfêmia.

Agora veja Marcos 2: 5-11. Este texto nos conta a história de como um homem paralítico queria entrar na casa em que Jesus estava, mas esta estava muito cheia. Ele persuadiu seus amigos a carregá-lo para o teto da casa e o quebraram, então pôde ser levado para baixo, onde Jesus estava ensinando. Então Jesus disse a ele, “Filho, perdoados são os teus pecados.” Os religiosos pensaram: “Porque fala assim este homem? Ele blasfema. Quem pode perdoar pecados senão um só, que é Deus?”

Extraímos deste trecho que blasfêmia para os judeus também é alguém dizer que tem o direito de perdoar pecados dos homens.

Verifique que a respeito da besta é dito em Apocalipse 13: 01 que tinha “sobre suas cabeças nomes de blasfêmia.

OU SEJA, OS LÍDERES DESTE PODER VÃO AO MESMO TEMPO DIZER QUE SÃO DEUS NA TERRA, E VÃO RECLAMAR PARA SI O DIREITO DE PERDOAR OS PECADOS DOS HOMENS!

Quinta característica: Agora o mais incrível vem a seguir. Para não deixar dúvidas na identificação deste poder, Deus ainda olhou para o globo terrestre e apontou para a exata localidade em que está, o local onde este poder se assenta! A Bíblia diz em Apocalipse 17:9 “As sete cabeças são sete montes, sobre os quais a mulher está assentada;” Ou seja, esta besta (poder, reino), sob a qual a mulher está assentada (igreja fora dos padrões de Deus, cheia de idolatria), está assentada sobre sete montes. Que montes são estes? Capitalino; Esquilino; Palatino; Aventino; Viminal; Quiminal; e Celle. Aonde estão? Em Roma.

O que vimos até aqui é suficiente para entendermos com clareza que o poder chamado de “Besta que sobe do mar” é o Papado.

Voltando ao início, a influência dos nicolaítas, diferenciando pessoas e hierarquizando a Igreja (com seus padres, curas, vigários, monsenhores, prelados, bispos, priorados, arcebispos e cardeais) foi crescendo e mergulhando a Igreja no engano, até que esta sucumbiu e aceitou a primazia do Bispo de Roma sobre todos os cristãos!

Veja o que Paulo disse para a Igreja em 2 Ts 2:3-4,7:

“3 Ninguém de modo algum vos engane; porque isto não sucederá sem que venha primeiro a apostasia e seja revelado o homem do pecado, o filho da perdição, 4 aquele que se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus ou é objeto de adoração, de sorte que se assenta no santuário de Deus, apresentando-se como Deus.

7 Pois o mistério da iniquidade já opera; somente há um que agora o detém até que seja posto fora;”

A referência é à volta de Jesus; isto é, Paulo disse que Cristo não voltaria sem que antes ocorresse a apostasia, cujo resultado é o aparecimento do poder denominado de “homem da iniquidade” e “filho da perdição”.

Apostasia é o afastamento da verdade; portanto, a Igreja de Cristo deveria experimentar um declínio espiritual. Isso resultaria no surgimento da besta que se estabeleceria no santuário de Deus!

Temos aqui outra prova da evolução da Igreja rumo à apostasia. Éfeso foi elogiada por odiar os nicolaítas. Ela os colocava à prova e repreendia a mentira que pregavam. Já Pérgamo foi repreendida por já estar contaminada com esta doutrina! Esta mentira deixou de ser combatida, a ponto de, com o passar do tempo, ser tolerada no meio da igreja e produzir os seus frutos.

“Assim tens também os que seguem a doutrina dos nicolaítas, o que eu odeio.” (Apocalipse 2:15).

Em III João temos o péssimo exemplo de Diótrefes, um nicolaíta, e suas obras:

“Tenho escrito à igreja; mas Diótrefes, que procura ter entre eles o primado, não nos recebe. Por isso, se eu for, trarei à memória as obras que ele faz, proferindo contra nós palavras maliciosas; e, não contente com isto, não recebe os irmãos, e impede os que querem recebê-los, e os lança fora da igreja. Amado, não sigas o mal, mas o bem. Quem faz o bem é de Deus; mas quem faz o mal não tem visto a Deus.” (3 João 1:9-11)

Diótrefes agia como o principal do rebanho e dominava sobre a igreja, a ponto de impedir aqueles que queriam receber os enviados de Paulo.

Enquanto isto o que a Palavra diz é que a primazia é de Cristo (Colossenses 1:18) e que nós devemos ter os nossos irmãos em consideração como superiores a nós mesmos (Filipenses 2:3)!

Acorda Igreja!

Com amor,

Luciane

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